Em 1953, a Operação Ajax (Tpjax) foi uma intervenção cirúrgica na soberania de um país inteiro, realizada através da mudança de percepção.
O primeiro-ministro Mohammad Mossadegh havia nacionalizado o petróleo iraniano, enfrentando diretamente interesses britânicos. A resposta veio sem armas, mas eficaz. A CIA e o MI6 financiaram protestos, manipularam narrativas, compraram lealdades e exploraram divisões internas.
HUMINT puro. Influência. Percepção. Controle.
O resultado foi a queda de Mossadegh e o retorno do Mohammad Reza Pahlavi ao poder, agora sustentado por um regime autoritário, alinhado ao Ocidente e blindado por repressão interna.
Mas operações assim não terminam quando atingem o objetivo.
Elas criam efeitos retardados.
Durante décadas, o povo iraniano acumulou ressentimento contra um governo visto como imposto de fora. Esse desgaste explodiu em 1979, na Revolução Iraniana, que derrubou o Xá e instaurou um regime teocrático liderado por Ruhollah Khomeini.
O Irã que vemos hoje, hostil ao Ocidente, fechado, ideologicamente radicalizado, não surgiu do nada.
Foi, em parte, consequência de uma operação bem-sucedida no curto prazo… e desastrosa no longo.







